
Estás mesmo aqui. Eu sinto-te aqui. Tens o teu queixo encostado aos teus braços, com a cabeça baixa e os braços apoiados em cima da minha mesa da sala. Os teus olhos estão abertos e a tua cabeça pende para o meu lado, e encosta-se ao meu braço. As tuas bochechas estão rosadinhas, e o teu cabelo curto cai-te de mansinho sobre a cara. Estás mesmo aqui. Eu sinto-te mesmo aqui. Agora não importa a quantos quilómetros estás realmente, porque eu sinto-te aqui. Estás aqui comigo. Continuas ao meu lado, com os olhos muito abertos e com os lábios quietos, sem sorrir, em silêncio. Ouves-me falar, falar e falar. E ficas quieto, sem dizeres nada. Não sei o que queres dizer com esse silêncio, e quero que me expliques. Quero que me ensines a compreender-te melhor. Porque, para além do que eu consigo sentir, eu sei que há muito mais de ti para descobrir. Por isso: explica-me. Explica-me que segredos guardas nesses silêncios, que histórias costumas contar em silêncio. Explica-me, diz-me quantas vezes costumas sorrir sem que ninguém ouça.
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