13.4.11

Percorres caminhos que nunca conheceste, nunca foram teus. Vagueias por estragas pelas quais nunca antes caminhaste. Vens à descoberta. Separas lençóis de seda e lençóis de trapo. Separas o bom do mau. Queres ter tudo de uma vez, mas nunca dás dois passos de seguida. Vais sempre devagar. Não queres perder o que tanto te deu trabalho a conquistar. Vives numa constante negação, contrariedade. Vives numa coisa que nem sequer sabes se podes chamar realidade. Vives em mim, agora. Nestes últimos dias em que estás presente em tudo. Vives em mim nas tardes em chego a casa, já cansada das aulas, com ainda tanto para fazer. Vives em mim nas noites em que chego a casa, tomo banho, janto e deito-me. Já não tenho mais forças, mesmo estando tu comigo. Estás sempre. Agora gostas de correr riscos, de estar sempre comigo e de me conhecer melhor. Acredita, conhecer-me é um risco. Depois torna-se em algo melhor, mas garanto-te que no inicio não é mais do que isso. Vives em mim nas músicas que a Adele me canta ao ouvido, quando ponho os phones nos ouvidos e baixo o volume, depois de me deitar nos meios dos lençóis, frios antes de eu chegar. Depois de tantas contas, somas, subtracções, divisões e multiplicações, só consigo perceber que já vives demasiado em mim. Já te tornaste parte de mim, e agora não me sais da cabeça. Não dá. Fixaste-te muito a mim, e eu deixei. Há muito tempo que ninguém provocava este efeito em mim. Deixei que viesses, e tu vieste depressa. Não quiseste esperar. Vieste logo, depressa, porque sabes devagar perde-se muito. Pode perder-se tudo. Deixei que viesses, e ficasses. Tu vieste, e ficaste. E eu continuo a querer que fiques. Não quero que vás embora. Não sei o que vou fazer se fores embora, para te dizer a verdade. Não sei. Nem quero tentar saber. Quero que continues a viver em mim, quero que continues a ser parte de mim. Eu preciso disso. Preciso de te ter comigo, porque é como te disse: fixaste-te demasiado a mim, e eu deixei. Ainda bem que deixei. Estou tão melhor desde que te tenho. Vives em mim quase todos os dias, quando ouço música na rádio ou no meu ipod. De manhã, à tarde ou à noite. Vives em mim nos meus lanches, fora ou dentro de casa. Vives em mim nas bolachas maria, nas bolachas torradas do pingo doce ou nas bolachas de água e sal e no leite com chocolate. Vives em mim, nas viagens de autocarro e nas palavras que digo para ninguém. Tu vives em mim nas tardes de sol, e nas noites de lua cheia. Vives enquanto quiseres viver. Estás em cada pensamento, em cada sorriso e em cada lágrima também. Um dia, quero que me contes como conseguiste entrar em mim, viver tão bem em mim. Quero que me digas tudo, porque eu não consigo perceber. Não me sais da cabeça, e mesmo quando tento sair daí e entrar noutro sítio qualquer para tentar perceber porquê e arranjar uma resposta aceitável, tu vens sempre comigo. Mas, enquanto eu não descobrir, podes vir. Enquanto não for mau, e apenas me fizer sorrir, podes vir. Podes sempre vir.

9 comentários:

  1. e tu uma fofa! :3
    e eu amei este texto <3

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  2. sério, fofinha! e não tens de agradecer :)

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  3. digo o mesmo, querida inês.
    há muito tempo que não vinha aqui, tenho que ver se te começo a visitar mais vezes. acabo sempre por me esquecer por causa de já não aparecerem as actualizações no painel de controlo. bah.

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  4. painel* só, não painel de controlo, haha x)

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  5. Boa noite Inês, eu depois passo por lá, amanhã ou assim. Não te esqueças de sorrir.

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  6. Não te preocupes comigo, pequenina. Como estás?

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  7. amor, passei aqui só para te deixar um beijinho de bom dia. já estou vestida e ainda não sei muito bem o que fazer com o cabelo. gostava de ter dinheiro para te mandar mensagens no caminho. espero que tudo corra bem e que chegue a horas em que tu estejas aqui para te contar tudinho. gosto muito de ti, girafa.

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  8. Obrigada, Inês. Eu também estou bem.

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